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📖 CAPÍTULO 1 Naquela mesa, só falta você. _ A Mesa Posta da Existência: Você é Convidado ou Apenas Observador?

  Num fim de tarde, numa loja de conveniência, sentamos para conversar. Café, barulho de geladeira, gente entrando e saindo. Nada de divã. Nada de consultório. Só uma mesa — e alguma coisa que ainda não tinha nome. Olho para Sigmund Freud e digo: — Conheço um sujeito que não se cansa de fazer a mesma coisa. Sempre volta ao mesmo lugar. O que você diz disso? Ele não se apressa. — A repetição não é fraqueza — responde. — É estrutura. Fico em silêncio por um instante. — Então não é falta de força? Ele sorri, como quem já viu aquilo muitas vezes. — Não. É o modo como algo insiste. Jacques Lacan , impaciente, entra na conversa: — E você acha que ele se dá conta disso? Respondo: — Acho que não. Parece automático. Lacan inclina o corpo: — Então não basta explicar. É preciso que ele se implique. Antes que eu responda, Byung-Chul Han observa, em tom baixo: — Hoje tudo é explicado. E quanto mais se explica, menos se move. — Então explicação virou abrigo...

Por que repetimos os mesmos erros na vida?

  Muitas pessoas se perguntam por que, mesmo sabendo o que fazem, continuam repetindo os mesmos erros, escolhas ou padrões de comportamento. Relacionamentos que se repetem, decisões semelhantes, sensações conhecidas — como se algo insistisse em voltar, mesmo quando se deseja mudar. Na psicanálise, isso não é visto como falta de inteligência ou de vontade. Trata-se de um funcionamento mais profundo, ligado à forma como cada sujeito se relaciona com sua própria história. A repetição não é por acaso Repetir não é um acidente. Há algo que se mantém, que retorna, mesmo quando parece não fazer sentido. É como se o sujeito estivesse preso a uma lógica que ainda não foi totalmente reconhecida. Por isso, muitas vezes, entender racionalmente não é suficiente para mudar. O que mantém a repetição? A repetição se sustenta naquilo que não foi elaborado. Enquanto algo não encontra outro lugar na experiência, ele tende a retornar — às vezes de formas diferentes, mas com a mesma estrutu...

Psicanálise da mudança: por onde começar?

  A Psicanálise da Mudança parte de um ponto simples: a transformação não começa fora, mas na relação do sujeito com a própria história. Mais do que entender o passado, trata-se de reconhecer a própria implicação no que se vive. É nesse movimento que a mudança deixa de ser uma expectativa e passa a se tornar uma possibilidade real. ## O Primeiro Passo: Reconhecer a Transferência Quando você diz "minha vida não muda porque os outros não entendem", você está em transferência. Quando você acredita que "se as circunstâncias fossem diferentes, eu seria feliz", você está em transferência. A **transferência** é exatamente esse movimento de colocar fora de você aquilo que é sua responsabilidade. Começar significa reconhecer isso. Não para se culpar, mas para recuperar seu poder. Porque enquanto você acredita que a mudança depende do outro, do tempo, das circunstâncias, você está imobilizado. Você está esperando. E a espera é o contrário da transformação. ## A...