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📖 Vida que segue

 O ônibus desacelera. Sem anúncio. Sem cerimônia. Olho pela janela. Nada espetacular. Nenhuma paisagem grandiosa. Só chão. — Chegamos? — pergunto. Silêncio. Levanto. O corpo mais leve. Não porque ficou fácil. Mas porque não estou mais lutando com o mesmo peso. A porta abre. Desço. Pé no chão. Firme. Simples. Olho pra trás. O ônibus ainda está lá. — Vocês vêm? — pergunto. Nenhuma resposta. Subo um degrau de novo. Olho pra dentro. Ninguém. Nem Sigmund Freud . Nem Jacques Lacan . Nem Byung-Chul Han . Nem Andrea Vermont . Nenhum deles. O ônibus está vazio. Desço devagar. A porta fecha. E ele parte. Fico parado. — Então era isso? — digo, quase rindo — uma conversa inteira… comigo? O vento bate leve. Sem resposta. Mas algo é claro. Eles não foram embora. Nunca estiveram ali. Freud… era quando eu p...

📖 CAPÍTULO 5 - As tempestades

       O céu muda sem avisar. Não escurece de repente. Só vai perdendo cor. O ônibus segue. Mas agora balança. — Isso não tava no plano… — digo. Sigmund Freud responde: — Nunca esteve. Uma freada leve. Um ruído estranho. Gente se ajeitando no banco. — Eu sabia… — resmungo — sempre acontece alguma coisa. Jacques Lacan olha de lado: — Sempre… ou você reconhece quando acontece? — Ah, agora até isso? — digo — não posso nem reclamar? Maria Rita Kehl responde: — Pode. A questão é: isso muda alguma coisa? O ônibus balança mais forte. Alguém lá atrás reclama alto. — Sinceramente… — digo — acho que isso não é pra mim. Silêncio. Byung-Chul Han fala baixo: — O cansaço sempre oferece uma saída. — Qual? — Voltar… ou desistir sem dizer que desistiu. Isso pega. — E qual o problema de voltar? — retruco — pelo menos lá eu sabia como era. Christian Dunker responde: ...

📖 CAPÍTULO 2 A encruzilhada _O Peso do "Não": O que Acontece com os Caminhos que Você Abandonou?

  Rodoviária. Barulho de mala arrastando. Gente com pressa de ir. Gente com pressa de chegar. Sento. Olho o painel. Vários destinos. — Engraçado… — digo — todo mundo sabe pra onde vai. Sigmund Freud responde, sem levantar os olhos: — Sabe o nome do destino. Não o caminho que repete. — Lá vem… — suspiro — então ninguém muda? Jacques Lacan corta: — Mudar não é trocar de lugar. — Então é o quê? — Mudar é mudar de posição. Um homem ao lado reclama alto: — Sempre a mesma coisa… atraso, bagunça… nada funciona. Christian Dunker , alguns bancos à frente, comenta: — Às vezes muda tudo… menos quem reclama. O homem se vira, irritado: — Tá dizendo que a culpa é minha? Maria Rita Kehl responde, tranquila: — Não é culpa. É participação. — Participação em quê? — ele insiste. Friedrich Nietzsche , encostado na parede, sorri de lado: — Em continuar exatamente onde diz que não quer estar. Silêncio curto. — Tá… — entro na conversa — e...

O PRINCÍPIO DA SUA PARTE A Sua Parte no Caos: Qual é a Sua Responsabilidade no que te Acontece?- “Leia este livro — se estiver disposto a sair da mesmice.”

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  🧠 Introdução Este não é um livro para distração. Também não é para confirmação do que você já pensa. Se você chegou até aqui, há algo que insiste. Algo que se repete. Algo que, de alguma forma, não muda. E não muda porque, em algum ponto, a sua parte ainda não foi assumida. A experiência psicanalítica não se sustenta na explicação, mas no momento em que aquilo que era evitado passa a ser reconhecido como próprio. É nesse ponto que algo se desloca. Não fora. Mas em você. E quando isso acontece, o que antes parecia destino começa a revelar outra coisa: repetição. Este livro não oferece saídas prontas. Mas pode te colocar diante de uma pergunta da qual já não será tão simples escapar: o que, nisso tudo, é da sua parte? A leitura não termina aqui. É justamente agora que começa. ➡️ Leia o Capítulo 1 - Naquela mesa, só falta você

Psicanálise da mudança: por onde começar?

  A Psicanálise da Mudança parte de um ponto simples: a transformação não começa fora, mas na relação do sujeito com a própria história. Mais do que entender o passado, trata-se de reconhecer a própria implicação no que se vive. É nesse movimento que a mudança deixa de ser uma expectativa e passa a se tornar uma possibilidade real. ## O Primeiro Passo: Reconhecer a Transferência Quando você diz "minha vida não muda porque os outros não entendem", você está em transferência. Quando você acredita que "se as circunstâncias fossem diferentes, eu seria feliz", você está em transferência. A **transferência** é exatamente esse movimento de colocar fora de você aquilo que é sua responsabilidade. Começar significa reconhecer isso. Não para se culpar, mas para recuperar seu poder. Porque enquanto você acredita que a mudança depende do outro, do tempo, das circunstâncias, você está imobilizado. Você está esperando. E a espera é o contrário da transformação. ## A...