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A metáfora da corrida do revezamento

Dois corredores. Um vem em velocidade, carregando algo que não pode parar. O outro já está em movimento — não espera parado. Eles não se olham por muito tempo. Não há explicação. Não há conversa. Só um gesto em preparação. O bastão se aproxima. O tempo encurta. Tudo acontece em segundos. O bastão não pode cair. Mas também não pode ser retido. Existe um ponto exato em que ele deixa de ser de um e ainda não é do outro. É nesse intervalo que tudo se decide. A mão que vem não pode hesitar. A mão que recebe não pode duvidar. Porque ninguém corre pelo outro. E ninguém pode receber por você. Se o gesto falha, não há corrida. Se o gesto acontece, algo continua — mas em outro corpo. A vida opera assim. Há coisas que chegam até você — histórias, marcas, repetições. Elas vêm em movimento. Você não escolhe que venham. Mas há um ponto em que algo se decide: o que você faz quando isso chega. Recusar não interrompe. Só desloca a repetição. Segurar como antes também não resolve. Só prolonga. Ma...

Manifesto do Princípio da Sua Parte

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  Durante muito tempo, o sofrimento foi explicado. Nomeado. Organizado. Justificado. E quanto mais se explicava, mais a vida permanecia no mesmo lugar. Porque explicação não atravessa. No máximo, contorna. Existe um ponto — preciso, quase imperceptível — em que compreender deixa de ser movimento e passa a ser adiamento. É aí que tudo se decide. Não no que te aconteceu. Mas no que você faz com isso. É aqui que surge o Princípio da Sua Parte: não como ideia, não como conselho, mas como corte. Enquanto a sua parte não é assumida, o outro te prende. Mesmo ausente. Mesmo em silêncio. Mesmo no passado. Tudo gira em torno dele. Tudo retorna ao mesmo lugar. Mas quando a sua parte é assumida, a lgo se desfaz. Não no mundo. Mas na amarra. E, de repente, há espaço. Espaço entre você e o que te atravessa. Espaço entre você e o outro. Espaço para que algo não precise se repetir. É nesse intervalo que a vida reaparece, Não como solução...