📖 CAPÍTULO 1 Naquela mesa, só falta você. _ A Mesa Posta da Existência: Você é Convidado ou Apenas Observador?
Num fim de tarde, numa loja de conveniência, sentamos para conversar.
Café, barulho de geladeira, gente entrando e saindo.
Nada de divã. Nada de consultório.
Só uma mesa — e alguma coisa que ainda não tinha nome.
Olho para Sigmund Freud e digo:
— Conheço um sujeito que não se cansa de fazer a mesma coisa. Sempre volta
ao mesmo lugar. O que você diz disso?
Ele não se apressa.
— A repetição não é fraqueza — responde. — É estrutura.
Fico em silêncio por um instante.
— Então não é falta de força?
Ele sorri, como quem já viu aquilo muitas vezes.
— Não. É o modo como algo insiste.
Jacques Lacan, impaciente, entra na
conversa:
— E você acha que ele se dá conta disso?
Respondo:
— Acho que não. Parece automático.
Lacan inclina o corpo:
— Então não basta explicar. É preciso que ele se implique.
Antes que eu responda, Byung-Chul Han
observa, em tom baixo:
— Hoje tudo é explicado. E quanto mais se explica, menos se move.
— Então explicação virou abrigo — digo.
— Exato.
O café já não importa mais.
Freud retoma:
— O sujeito precisa perceber que repetir não é acaso.
Lacan completa:
— E que assumir posição não é culpa.
Han fecha:
— Sem decisão, a cultura engole.
Um barulho de buzina corta a cena.
Levanto.
A porta está entreaberta.
Empurro.
Freud, atrás de mim, diz:
— Estrutura reconhecida. Agora é ato.
Lacan acrescenta:
— A passagem transforma efeito em autor.
Han conclui:
— Explicar não basta mais.
Dou um passo.
Depois outro.
O mundo lá fora não promete nada.
Sem garantias.
Sem roteiro.
Só caminho.
Só escolha.
Só posição.
Eu atravesso.
Nada mudou no mundo.
Mas algo irreversível mudou em mim.
E você…
até quando vai tratar a sua vida como algo que apenas aconteceu com
você? Talvez seja hora de escutar o que esses novos encontros têm a dizer sobre essa dúvida.
➡️ Continue: Capítulo 2 — A encruzilhada
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