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Ansiedade pode causar sintomas físicos? O que a psicanálise tem a dizer

 A ansiedade é frequentemente associada a pensamentos acelerados, preocupação constante e dificuldade de relaxar. No entanto, seus efeitos não se limitam ao campo mental. Muitas pessoas experimentam sintomas físicos intensos sem uma causa médica evidente. Falta de ar, tensão muscular, palpitações, dores no peito, desconfortos gastrointestinais — todos esses sinais podem aparecer como expressão de um estado interno que não encontra outra forma de se manifestar. Mas o que está em jogo quando o corpo começa a falar dessa maneira? Na psicanálise, a ansiedade não é vista apenas como um excesso de preocupação, mas como um sinal de algo que escapa à simbolização. Trata-se de uma experiência que coloca o sujeito diante de um ponto de tensão psíquica que não foi elaborado. Quando isso ocorre, o corpo pode ser convocado a sustentar aquilo que não encontrou lugar na palavra. Isso não significa que os sintomas físicos sejam imaginários. Ao contrário: eles são vividos de forma concreta e, ...

Dor no corpo pode ser emocional? O que a psicanálise explica sobre os sintomas físicos

 A dor no corpo nem sempre tem uma origem exclusivamente orgânica. Muitas vezes, ela se apresenta como um enigma: exames não apontam alterações significativas, tratamentos não produzem os efeitos esperados e, ainda assim, o sofrimento persiste. Diante disso, uma pergunta começa a surgir: seria possível que o corpo esteja falando aquilo que não pôde ser dito? Na psicanálise, o sintoma não é entendido apenas como um problema a ser eliminado, mas como uma formação que carrega um sentido. Quando se trata de dores físicas recorrentes — como tensões musculares, dores de cabeça, desconfortos abdominais ou fadiga constante — é possível considerar que há algo do campo psíquico em jogo. Isso não significa que a dor “não é real”. Ao contrário: ela é absolutamente real. O que a psicanálise propõe é ampliar a escuta sobre essa dor. O corpo, nesse contexto, pode funcionar como uma via de expressão do inconsciente. Aquilo que não encontra lugar na palavra — conflitos, angústias, experiências ...

📖 CAPÍTULO 5 - As tempestades

       O céu muda sem avisar. Não escurece de repente. Só vai perdendo cor. O ônibus segue. Mas agora balança. — Isso não tava no plano… — digo. Sigmund Freud responde: — Nunca esteve. Uma freada leve. Um ruído estranho. Gente se ajeitando no banco. — Eu sabia… — resmungo — sempre acontece alguma coisa. Jacques Lacan olha de lado: — Sempre… ou você reconhece quando acontece? — Ah, agora até isso? — digo — não posso nem reclamar? Maria Rita Kehl responde: — Pode. A questão é: isso muda alguma coisa? O ônibus balança mais forte. Alguém lá atrás reclama alto. — Sinceramente… — digo — acho que isso não é pra mim. Silêncio. Byung-Chul Han fala baixo: — O cansaço sempre oferece uma saída. — Qual? — Voltar… ou desistir sem dizer que desistiu. Isso pega. — E qual o problema de voltar? — retruco — pelo menos lá eu sabia como era. Christian Dunker responde: ...

📖 CAPÍTULO 2 A encruzilhada _O Peso do "Não": O que Acontece com os Caminhos que Você Abandonou?

  Rodoviária. Barulho de mala arrastando. Gente com pressa de ir. Gente com pressa de chegar. Sento. Olho o painel. Vários destinos. — Engraçado… — digo — todo mundo sabe pra onde vai. Sigmund Freud responde, sem levantar os olhos: — Sabe o nome do destino. Não o caminho que repete. — Lá vem… — suspiro — então ninguém muda? Jacques Lacan corta: — Mudar não é trocar de lugar. — Então é o quê? — Mudar é mudar de posição. Um homem ao lado reclama alto: — Sempre a mesma coisa… atraso, bagunça… nada funciona. Christian Dunker , alguns bancos à frente, comenta: — Às vezes muda tudo… menos quem reclama. O homem se vira, irritado: — Tá dizendo que a culpa é minha? Maria Rita Kehl responde, tranquila: — Não é culpa. É participação. — Participação em quê? — ele insiste. Friedrich Nietzsche , encostado na parede, sorri de lado: — Em continuar exatamente onde diz que não quer estar. Silêncio curto. — Tá… — entro na conversa — e...

Metáfora do Avião - Uma viagem pelas asas da psicanálise

Você pode até jogar uma pedra em um avião. Se ele estiver parado no aeroporto, é possível acertá-lo. Mas se estiver voando, não há pedra que o alcance. Essa imagem simples diz algo importante sobre a vida humana. Quando estamos parados — presos às mesmas queixas, aos mesmos conflitos, às mesmas repetições — tornamo-nos alvos fáceis. Alvos de críticas, de frustrações, de ressentimentos e, muitas vezes, das próprias pedras que nós mesmos arremessamos contra os outros.  E também é muito fácil ocupar o lugar da vítima.  A vida cotidiana está cheia dessa dinâmica: pessoas atirando pedras umas nas outras e, ao mesmo tempo, reclamando das pedradas que recebem. Em muitos momentos, até mesmo o discurso psicológico e psicanalítico corre o risco de permanecer apenas nesse território da lamentação. Fala-se de sofrimento, de sintomas, de recalques, de conflitos do inconsciente. Utilizam-se conceitos importantes — como inconsciente, ego e superego — formulados por Sigmund Freud para compre...

Quando vc faz a sua parte, a parte dos outros que estão ao teu redor, também muda.

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O Princípio da Sua Parte Por que tentar fazer tudo está nos cansando — e como a vida pode melhorar. Existe um novo cansaço (como se a gente precisasse) circulando no mundo. Não é apenas o cansaço do trabalho pesado ou das longas jornadas. É um cansaço mais difuso e confuso, ora silencioso, ora ensurdecedor, quase existencial (fui longe, agora). Um cansaço presente e sorridente mesmo quando paralelamente o nosso pequeno grande mundo está tudo funcionando no nosso modo de enxerga-lo. OByung-Chul Han, por quem nutro grande admiração chamou essa turma que vive assim de sociedade do cansaço. Segundo ele, o sujeito que está entre nós não vive mais sob a pressão de um “você deve fazer isso ou aquilo”. Hoje a ordem social parece mais simpática: “você tá podendo” Você pode produzir mais. Você pode melhorar sempre. Você pode empreender(aqui mora o perigo). Você pode dar conta. Vocé pode ser e ter mais. O problema é que, quando tudo se torna possível, tudo começa a parecer obrigatório e vocé ...

É bom que faças sua parte, senão a tua vaca vai pro brejo.

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Faça a Sua Parte. Tem gente que vive assim: ou é defeito… ou é conserto. Quando dá errado, a culpa é da peça. Quando dá certo, foi sorte. E no meio disso tudo, a vida esperando alguém aparecer. Mas há uma pergunta que desmonta essa cena: Qual é a Sua Parte nisso? Vivemos na era do cansaço. Não é apenas falta de sono. É excesso de estímulo, cobrança, de comparação (esta é cruel, muito cruel), excesso de tudo e mais um pouco. Alain Ehrenberger chamou isso de Culto ao Desempenho , Byung-Chul Han chama de Sociedade do Cansaço e mostra como deixamos de ser reprimidos para nos tornarmos exploradores de nós mesmos. Não precisamos mais de um chefe nos vigiando. Nós mesmos fazemos isso — com "eficiência impressionante". E quando não damos conta desta miscelânea psíquica? Ai, entra a “Sua Parte” para atravessar os bloqueios provocados por ansiedade, sensação de fracassos e outros que tais para e clarear o horizonte da mudança. Autoras como Aline Fernandes, ao discutir ansiedade, burno...