A metáfora da corrida do revezamento
Dois corredores. Um
vem em velocidade, carregando algo que não pode parar. O outro já está em movimento — não espera parado. Eles não se olham por muito
tempo. Não há explicação. Não há conversa. Só um gesto em preparação. O bastão se
aproxima. O tempo encurta. Tudo acontece em segundos.
O bastão não pode
cair. Mas também não pode ser retido. Existe um ponto exato em que ele deixa de
ser de um e ainda não é do outro. É nesse intervalo que tudo se decide. A mão
que vem não pode hesitar. A mão que recebe não pode duvidar. Porque ninguém
corre pelo outro. E ninguém pode receber por você. Se o gesto falha, não há
corrida. Se o gesto acontece, algo continua — mas em outro corpo.
A vida opera assim. Há
coisas que chegam até você — histórias, marcas, repetições. Elas vêm em
movimento. Você não escolhe que venham. Mas há um ponto em que algo se decide: o
que você faz quando isso chega. Recusar não interrompe. Só desloca a
repetição.
Segurar como antes
também não resolve. Só prolonga. Mas assumir — assumir muda a posição. Não é
mais algo que te atravessa apenas. É algo que você passa a sustentar. É aqui
que entra o Princípio da Sua Parte: o bastão não é o problema. O problema é não
reconhecer o momento em que ele já está na sua mão. E, a partir daí, não há
mais espectador. Há alguém correndo.
https://josecarlosdemiranda.blogspot.com/2026/03/o-que-e-psicanalise-da-mudanca.html
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