Lugares por onde andei: uma viagem ao fim do mundo.
Lugares por onde andei: uma viagem ao fim
do mundo
Iniciar uma historia com uma imagem é um desafio, assim
como foi e é um desafio iniciar uma subida pelos flancos rumo às alturas da
Cordilheira dos Andes, com começo no Glaciar Martial, na cidade de Ushuaia, na
Patagônia argentina. Mas, vamos ao que interessa que é o relato da viagem, uma
viagem pensada, por intermédio de um comentário surgido do nada, numa roda de
bate-papo alguém disse que “... o Brasil é o fim do mundo...”. Logo, alguém
disse que o fim do mundo era outro lugar e partir desta alusão resolvemos ir ao
verdadeiro fim do mundo.
E então, numa bela noite calorenta, no paralelo 13, uma linha do Equador, na mais nova capital do Brasil, Palmas/Tocantins, nasceu esta viagem. assim teve inicio a viagem. Primeiro com a criação de um mapa mental que forçasse êxito do empreendimento. E fomos nós ao planejamento e surge, ai, a primeira duvida, quando ir, no inverno ou no verão? Optamos pelo verão porque somos do calor dos trópicos e não iriamos deixar a nossa origem. E daí, a pergunta: como seria o verão no fim do mundo? Recorremos às leituras sobre o assunto, leituras estas produzidas nos e pelos comentários daqueles que por lá passaram. Fizemos leitura e releituras sobre o assunto. Ficamos sabendo da velocidade do vento, da temperatura, dos hotéis, restaurantes, dos atrativos e nos atentamos para as respostas das perguntas comuns estampadas nos sites de viagens: como chegar, onde hospedar, por onde andar e o que comer.
Evidentemente que uma coisa é saber de longe, outra coisa é
estar lá. E para estarmos lá marcamos a data de saída do Tocantins para o dia
09 de janeiro de 2017. Na madrugada deste dia demos inicio ao embarque rumo ao
fim do mundo. Acordamos em São Paulo, onde passamos o dia e a noite, pois nosso
voo para Santiago, capital do Chile, iria acontecer às 13 horas do dia 10. E lá
pelas 11 horas já estávamos no aeroporto de Guarulhos e de reserva hoteleira na
mão. Embarcamos num avião da LATAM e já vou logo dizendo foi uma viagem terrível.
Calma! Não teve turbulência, o lanche era bom, o atendimento também, mas, os
últimos assentos que a companhia aérea nos forneceu não tinha janelas. Não
preciso dizer mais nada. Só digo que antes de embarcar não embarquem nesta
furada. E nós que havíamos pensado tanto em fotografar as Cordilheiras, pela
primeira vez, ao chegarmos à Santiago ficamos a ver navios nos ares de
Santiago. Aí, lembramo-nos daquela passagem bíblica “os últimos serão os
primeiros no reino dos céus”. E conformados, mas, indignados fomos ver Santiago
só depois que a porta da aeronave se abriu.
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| Da aeronave se admira o caminho da neve formando os lagos e irrigando a planície. |
E então, numa bela noite calorenta, no paralelo 13, uma linha do Equador, na mais nova capital do Brasil, Palmas/Tocantins, nasceu esta viagem. assim teve inicio a viagem. Primeiro com a criação de um mapa mental que forçasse êxito do empreendimento. E fomos nós ao planejamento e surge, ai, a primeira duvida, quando ir, no inverno ou no verão? Optamos pelo verão porque somos do calor dos trópicos e não iriamos deixar a nossa origem. E daí, a pergunta: como seria o verão no fim do mundo? Recorremos às leituras sobre o assunto, leituras estas produzidas nos e pelos comentários daqueles que por lá passaram. Fizemos leitura e releituras sobre o assunto. Ficamos sabendo da velocidade do vento, da temperatura, dos hotéis, restaurantes, dos atrativos e nos atentamos para as respostas das perguntas comuns estampadas nos sites de viagens: como chegar, onde hospedar, por onde andar e o que comer.
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| Essencial é preparar a documentação e trazè-la sempre consigo. |
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| Santiago a nossos pés, do alto do Costanera. |
Na chegada, apanhamos um táxi e fomos direto para um hotel próximo ao aeroporto, afinal, se “mineiro não perde o trem”, imagine o avião. O fato de passarmos a noite próximo ao aeroporto é a comodidade para quem viaja. Primeiro porque evita-se gastar com táxi ou transporte correlato, segundo porque dá tempo de reorganizar estratégias de mobilidade como horários e distancia entre atrativos e terceiro porque dá tempo de recuperar de algum mal-estar. Como todo viajante que se preza sempre tem uma carta na manga nos tornamos clientes da rede RDC, onde se paga anualmente por 7 diárias em prestações mensais. Isso nos força a viajar pelo menos 7 dia no ano para não perdemos o investimento.
Evidentemente que, para aqueles de maior poder aquisitivo
pode-se dobrar este investimento. Isso irá permitir mais dias nos locais a se
conhecer. No nosso caso, nesta viagem ficamos no
Hotel Manquehue Aeroporto, a 3 kms do aeroporto de Santiago. E aproveitamos a
estadia para dar um pulo no edifício Sky Costanera, o mais alto da America do
Sul. Um longo caminho do aeroporto ao centro de Santiago. Fomos porque
programamos nossa ida, senão nos conformaríamos em fica próximo ao aeroporto,
de acordo com as comodidades citadas acima.
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| Aeroporto de Santiago: porta de entrada para o fim do mundo, no bom sentido. |
E no dia seguinte, 11/01/17, o taxi do hotel nos levou ao aeroporto, onde um avião da LATAM aguardava para nos levar à Punta Arenas, ultima cidade da Patagonia chilena, objetivo primeiro do nosso tour pelo fim do mundo. Enquanto aguardávamos a chamada fomos reparar nos equipamentos do aeroporto e observamos que se tratava de um aeroporto com dimensões bastante econômicas -a volta mostrou o contrário. E, a medida que se aproximava o aviso para o embarque notamos que havia um movimento bem interessante entre as pessoas no saguão do aeroporto. Elas se movimentavam para colocar gorros, cachecóis, blusas e outras roupagens de inverno. Como isto poderia estar acontecendo se estávamos em pleno verão e o aeroporto estava com a temperatura bastante elevada? Nós, manga de camisa, óculos escuros, agasalhos guardados só olhávamos e comentávamos o quanto aquelas pessoas estavam sensíveis ao frio em pleno verão. Parecia até que estavam indo para o continente antárctico.
E o aviso chegou. Fomos convidados a
embarcar no voo para Punta Arenas/Chile.
E lá fomos nós rumo a Cordilleira de los Andes. Desta vez, so faltou uma
jnela panoramica para apreciarmos melhor o mundo visto de cima. Fantástico o
que estavamos vendo e continuaríamos a ver durante praticamente todo o voo.
Pela nossa cabeça passava o filme “ Os sobreviventes do Andes”, mas rapidamente
o filme era cortado pela visão dos picos
cobertos de neve que eram substituidos a todo momento por novas imagens. E
assim fomos nos deleitando com os limites da imaginação daqueles que ousavam
desfrutar de tão belo momento.
A Cordilheira dos Andes é uma cadeia
de montanhas localizada na costa oeste da América do Sul. Ela está presente no
território de sete países Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Argentina e
Venezuela. Suas principais características são a extensão, 7.240 quilômetros, a
largura: entre 200 e 700 quilômetros, o seu ponto mais alto é o Monte Aconcágua
com 6.962 metros de altura, sua altura média e de 4.000 metros e o clima
predominante é o frio, muito frio. Em função de o clima ser inóspito (muito
frio e ar rarefeito), existem poucas cidades e vilas instaladas nas partes mais
elevadas da Cordilheira dos Andes. Não as vimos do alto. Também pudera a 37.000
pés (linguagem aérea) de altura, um tanto quanto difícil. Não vimos também, nem
as lhamas, as vicunhas e muito menos as alpacas,
animais estes que povoam nossos livros sobre a história andina. Mas, vimos os guanácos.
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| Tripulação preparada para o pouso. |
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| Hora de dar "tchau" para os que ficaram na saudade. |
A Van nos deixou no
Keoken, um hostel muito aconchegante, aquecido de cima em baixo, com uma ampla
recepção, uma proprietária atenciosa e cumpridora dos compromissos assumidos e
equipamentos novos. Enfim, uma hosteria como havíamos imaginado, com preço
acessível, wi-fi satisfatório e bem localizada. Quer dizer bem localizada
porque é de fácil acesso, pois esta numa rua que não precisa dobrar nenhuma
outra para chegar ao centro da cidade, onde estão os restaurantes, cafés,
lanchonetes e atrativos. E por falar em atrativos ei-los, os principais, de
acordo com nossa estadia (claro que existem outros), elencados:
La luna restaurant:
um dos melhores bares vistos em nossas andanças pelo mundo. Bonito de se ver,
de se comer, comer, conversar, fotografar, trocar ideias com os proprietários e
degustar piscosur, uma bebida local.
Restaurante La Marmita: a ida ao Restaurante La Marmita em Punta Arenas foi coincidência.
Claro que já tínhamos lido a respeito. Estávamos andando pela cidade quando nos
vimos de frente a ele. Aí, entramos e nos demos bem. Uma visita com a observação
de ser também imperdivel! E
quando é assim, é melhor conferir.
Cervejaria Hernando de Magallanes: a proprietária nos atendeu como se fossemos filhos pródigos
voltando pra casa. Adquirimos uma cerveja artesanal produzida em Punta Arenas, província
de Magalhães, extremo sul do Chile.
Segundo um degustador “foi uma experiência ótima provar dessa cerveja. Ela tem todos os atributos das Golden Ales em geral, com creme alto e persistente, notas maltadas, extremamente marcantes, maltadas, caramelizadas, quase doce. Nota-se pouco o lúpulo. O gole é carbonatado e o retrogosto adocicado. Ótima”. Esta cervejaria fica próxima a orla, onde estão localizados alguns atrativos como monumento aos primeiros colonizadores, um ancoradouro desativado, uma praia gelada, mercado municipal e relógio inglês assentado na praça. Vale a pena caminhar por este local.
Segundo um degustador “foi uma experiência ótima provar dessa cerveja. Ela tem todos os atributos das Golden Ales em geral, com creme alto e persistente, notas maltadas, extremamente marcantes, maltadas, caramelizadas, quase doce. Nota-se pouco o lúpulo. O gole é carbonatado e o retrogosto adocicado. Ótima”. Esta cervejaria fica próxima a orla, onde estão localizados alguns atrativos como monumento aos primeiros colonizadores, um ancoradouro desativado, uma praia gelada, mercado municipal e relógio inglês assentado na praça. Vale a pena caminhar por este local.
Monumento al ovejero: um memorial dedicado à riqueza da pecuária e às tradições rurais da
região de Magallanes. Nada é tão belo quanto subir no cavalo e se sentir o
desbravador da região do Estreito de Magalhães Neste caminho também tem uma
banca de souvenirs. Não se esqueçam de adquirir adesivos para colar em
superfícies planas e para costurar em mochilas. Aproveitem e façam uma visita
ao cemitério local. Ele foi tombado por uma organização internacional. Ele
parece uma vila, onde se misturam túmulos imponentes e sepulturas decadentes,
entremeados por ciprestes emoldurados.
Monumento ao índio fueguino: ponto de visita obrigatória na Praça Munhoz Gamero. Diz a lenda que
se você beijar o pé do índio você voltará a Punta Arenas. Foi o que fizemos,
sem mais delongas. O pé do índio chega a estar brilhante de tanta gente que
quer voltar a esta cidade.
Estão ai alguns
“points” desta cidade que nos cativou. Uma cidade aconchegante, com pessoas
extremamente afetivas, cordiais, prestativas, disponíveis e responsáveis. Fomos
surpreendidos positivamente pelo que vimos, ouvimos e participamos ao escolher
esta cidade como o inicio da nossa viagem ao fim do mundo. E depois destas
visitas voltamos ao Keoken para descansarmos e partirmos, no dia seguinte, de
ônibus, para Ushuaia, ultima cidade da patagônia argentina. Lá, sim considerado
o verdadeiro fim do mundo. Punta Arenas, podemos considerar o meio do fim do
mundo.
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| Hostel Keoken: na medica certa. |
E amanheceu. Como
amanhece rápido no extremo sul do continente. Também pudera, os dias aqui duram
18 horas. Deve ser muito interessante viver por aqui porque existe até um
movimento de libertação na região. Bem, aí, já é outra história, outra viagem.
Juntamos as coisas
e caminhamos muito bem agasalhados, botas, blusa corta-vento, gorro, cachecol,
luvas para a garagem da empresa Bus Sur, que nos levaria para Ushuaia, uma
viagem mochileira de 10 horas. E exatamente, no horário combinado rumamos para
a Ruta (Rodovia) 255 e 257. O ônibus tem banheiro, pouco usado, por sinal,
lanche a bordo (biscoito e suco) e velocidade de acordo com as normas
necessárias para uma viagem tranquila. E íamos imaginando como seria a
travessia do tão falado Estreito de Magalhães, Afinal foi para isso que adquirimos
bilhetes rodoviários. E o ônibus tanto andou que chegou. Fomos gentilmente
convidados a descer porque na travessia o veiculo fica vazio. Descemos e
encaramos uma ventania digna dos filmes de cowboy. Soprava os ventos do Atlântico
com os do Pacífico e, juntos, potencializava a friagem. Os passageiros não
conseguiam ficar fora da cabine. Uma palavra sintetiza esta travessia: irada. É
uma travessia de uma hora, aproximadamente, que nos remete ao tempo das grandes
navegações e a Camões “navegar por mares nunca dantes navegados”, muito embora,
Hernando de Magalhães seja espanhol.
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| Fronteiras: daqui pra lá, de lá prá cá. Parada obrigatória para estar acordado com cada país. |
Enquanto íamos nos
aproximando de Ushuaia, a ansiedade nos acompanhava em maior velocidade.
Sabíamos disso pelo aparecimento da rede de eletrificação na margem da estrada.
A vegetação se caracterizava pela existência de uma única espécie, de nome
lenga, que resistia ás intempéries locais com extrema galhardia ao lado do sopé
da Cordilheira. Quanto ao cume das montanhas quem dominava era a neve e isto
enchia os olhos pela sua eternidade. Notamos também enorme quantidade de
árvores caídas e soubemos que era um esporte praticado pelos castores,
introduzidos por moradores para o comercio de peles. Depois este comercio foi
extinto e ficaram os vorazes castores que, sem predadores, dominam as margens
dos riachos e derrubam as árvores para fazerem seus diques, tão famosos nos
desenhos da Disney.
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| Um fim de mundo, tranquilo. |
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| Glaciar Martial: debaixo de neve, de chuva, de sol, de cerração, estamos na Cordilleira de los Andes. Um sonho. |
E a Bella Vista é
um encanto. Uma proprietária falando português era tudo que queríamos para nos
inteirarmos dos momentos a serem vividos. Ela foi uma “lady” no convívio
durante o tempo, no qual ficamos hospedados em sua pousada. Nos deixou
completamente a vontade: nos indicou onde comer, preços, variedades, caminhos,
onde ir, como ir e principalmente nos “empurrou” para o ponto alto de Ushuaia,
o Glaciar Martial. Falou da família, do trabalho, dos objetivos, porque estava
lá e deixou a pousada à nossa inteira disposição, inclusive ligando para outras
localidades para tentar resolver “acidentes de percurso”, coisa bastante comum
para quem viaja por lugares diferenciados.
E depois de
estarmos bem acomodados fomos “curtir” o “porquê” estávamos ali. Nos dias
subsequentes à nossa chegada fizemos um tour pela cidade, um tour pelo Canal do
Beagle, onde Charles Darvin também fez, melhor, ele faz antes da gente, lá
pelos idos de 1832. Numa manhã fria, bem, em Ushuaia todas as manhãs são frias,
extremamente frias, embarcamos numa Van para a Estancia Harberton, onde
visitaríamos um museu de espécies marinhas, além de visualizar as
árvores-bandeiras e porque deste nome, e, posteriormente, uma creche, isto mesmo, uma
creche no meio do fim do mundo. Mas, não era uma creche qualquer. Era e é um
berçário de pinguins.
Pinguins para todo lado, grandes, pequenos, todos de
fraque sem cartola e tinha até dois intrusos pinguins imperadores, pareciam
estátuas, trazidas por alguma onda sem rumo. Muito interessante e pedagógico. Devo dizer que a Van nos deixou na Estancia e
daí pra frente foi só transporte marítimo. Inicialmente por uma lancha bimotor,
porque para navegar no gelado Beagle tem que ter potencia e segundamente num
belo catamarã, de fazer inveja a muito barco utilizado por agencias de turismo
em outras extremidades da Terra. E foi neste catamarã que nos aproximamos da
Ilha dos Pássaros, dos Lobos e do genérico Farol do Fim do Mundo, pois o
verdadeiro, descrito por Julio Verne, estava a quilômetros dali. Foi tudo
fantástico. Um passeio monstruoso para ser muito bem relatado e influenciar
pessoas a trilhar este mesmo caminho.
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| Pinguins para todos os gostos, na Pinguinera Martillo, uma ilha do Canal do Beagle. |
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| No meio do caminho do fim do mundo existe um farol. |
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| Centolla: nao fique sem degustar. |
E o trem? Bem, o
trem foi um dos pontos altos do passeio. O tão decantado trem do fim do mundo
foi vivido com muita intensidade desde a saída da estação até a entrada do
Parque Nacional. Uma viagem pela História da Terra do Fogo. Tudo muito bem
organizado, desde as instalações de embarque até o trem propriamente dito, com
locomotiva nova e vagões bem aconchegantes, com bancos confortáveis, janelas
panorâmicas e som a bordo. Só que na época de presidio não era assim. Enquanto
o trem fazia “piuí piuí” íamos admirando a natureza e sabendo da vida dos
presidiários naquele fim de mundo. E assim passamos as horas de alguns dias em
um dos extremos da Terra.
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| Esta viagem é obrigatória. |
E numa outra bela e
fria manhã embarcamos num voo para El Calafate, onde visitaríamos o Glaciar
Perito Moreno.
Primeiramente,
calafate é nome de uma fruta miúda que pode ser utilizada na fabricação de
licores, sorvetes e sucos. Quem provar do calafate voltará onde foi provado,
diz a lenda. Provar, não provamos, mas a vontade de voltar, depois de ver um
dos maiores glaciares do mundo é imensa. Pra quem chega de avião, no nosso caso,
o aeroporto fica a 23 km da cidade e o transfer para a cidade, hotel ou hostel
pode ser feito de taxi ou serviço de van.
Apesar de El Calafate ser uma cidade
pequena, alguns hotéis ficam um pouco longe do centro. É bom dar uma olhada no
mapa antes de fazer a reserva, pois a caminhada pode ser longa e talvez seja
necessário pegar um taxi. E tenha cuidados na escolha. A melhor época pra visitar El Calafate é
na primavera e no verão, entre Outubro e Março. Fomos em janeiro. O clima nesse
período é frio e seco com poucas chuvas e a temperatura pode variar entre 28˚C
durante o dia e 10˚C a noite.
Como viemos para visitar Perito
Moreno, vamos a ele. Mas, antes, visitamos o pequeno centro da cidade e
agendamos as passagens e o ingresso para o dia seguinte. Fomos ao supermercado,
onde adquirimos algo para o lanche da manhã e a merenda no glaciar.
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| Glaciar Perito Moreno: sonho de consumo de mochileiro. |
E amanheceu, corremos para a
rodoviária e ficamos aguardando o ônibus que nos levaria ao Glaciar Perito Moreno. Fica a cerca de 85 kms do centro da cidade em estrada boa. O passeio é
bem organizado e tem 7 kms de passarelas que chegam até muito perto daquela
parede enorme de gelo que tem 5 kms de frente e 60 m de altura, em média. Esse
passeio dura cerca de uma hora e serve para olharmos mais de perto aquelas
formas de massa azulada gigante.
O glaciar Perito Moreno é uma exceção entre os glaciares, pois ao invés
de estar derretendo, aumenta a cada ano. Ele faz parte do Gelo Continental Patagônico,
que é um resquício da última era do gelo. Lembrou-se do filme? Ele é formado
pela compactação da neve pela gravidade ao longo do tempo, junto com quaisquer
substancias que estejam pelo caminho. Ela é azulada porque esse gelo é muito
denso e absorve todas a cores, menos as de tons azuis. A popularidade deste
glaciar decorre da facilidade de acesso.
Visto o Perito Moreno, voltamos á
pousada, repousamos para, no dia seguinte, embarcamos para Punta Arenas, de
onde voltaríamos pra casa, sem antes, passarmos próximo à Torres del Paine,
fronteira novamente, rodoviária de Puerto Natales, local de conexão rodoviária
e aportamos novamente em Punta Arena, onde, no dia seguinte, voo de volta para
o Brasil. Assim foi a viagem ao fim do mundo. Até a próxima. Desta vez no calor
dos trópicos, o arquipélago de Fernando de Noronha, onde, segundo especialistas,
se localiza a melhor praia do mundo, a Praia do Sancho. Bem, aí, é outa
história. Hasta la vista!


















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