Metáfora do farol - Sua Parte: um novo barco atravessa o Aqueronte



Existem momentos na vida em que percebemos que certas escolhas não podem ser feitas por nós nem por ninguém. Durante muito tempo acreditamos que alguém nos levaria para um novo cenário, conduzindo o barco da nossa própria existência. Mas chega uma hora em que descobrimos algo diferente: não é bem assim. Muitas vezes deixamos o melhor no barco do outro e reclamamos para sempre.

Há muito tempo se conta que as almas atravessavam o rio Aqueronte conduzidas pelo barqueiro Caronte. Era ele quem fazia a travessia. As almas apenas embarcavam. O rio era inevitável. A travessia também. E havia apenas um barco naquela imensidão. Só de imaginar já causa um certo arrepio.

Essa metáfora, saída da mitologia grega, revela algo profundo sobre a condição humana: diante de certos rios da vida, acreditamos que alguém virá nos conduzir até a outra margem.

Mas podemos imaginar outra cena.

Deixemos de lado apenas o mergulho na história antiga e imergimos agora em nossa própria história.

No mesmo rio surge agora um novo barco. Ele não elimina a travessia, nem promete águas tranquilas. O Aqueronte continua profundo, silencioso e inevitável. A diferença está no modo de atravessar. Neste barco, ninguém atravessa apenas sendo conduzido. Cada viajante precisa assumir a sua parte na travessia.

É desse ponto que nasce uma ideia simples e exigente.

Uma ideia que desloca o lugar da espera para o lugar da implicação. Em vez de aguardar que alguém conduza toda a travessia, surge a pergunta que muda o rumo da viagem: qual é a sua parte nisso?

É daí que nasce:

O Princípio da Sua Parte.

Porque diante do rio que todos, cedo ou tarde, precisarão atravessar, sempre existe algo que não pode ser delegado. A travessia continua. Mas agora há um novo barco.

E quando olhamos com atenção para dentro dele, percebemos algo inesperado:

nós também estamos a bordo.

E você achando que seria o ponto final.

Não, criatura. A vida continua. Agora há um farol iluminando o rumo — e lembrando que certas escolhas continuam sendo nossas.

No antigo mito, o barqueiro conduzia a travessia.
Na vida real, porém, chega um momento em que o farol acende e revela algo que ninguém pode fazer por nós:

assumir a própria parte na travessia

https://josecarlosdemiranda.blogspot.com/2026/03/o-que-e-psicanalise-da-mudanca.html

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