Extensão rural - uma ressignificação necessária
Esse texto procura fazer uma reflexão sobre
a Assistência Técnica e a Extensão Rural
- ATER no contexto da agricultura familiar e como acontece a
consolidação deste processo de construção, iniciado no final da década de 1940.
Percebemos pela vivencia cotidiana que passados mais de 70 anos pouca coisa
mudou.
Esta reflexão sinaliza para uma descontinuidade nas frágeis ações
implementadas por este tipo de política pública oficializada. Este
posicionamento contraria o atual aparato governamental de assistência rural,
pois se no discurso assegura fortalecer, apoiar e priorizar o regime de
agricultura familiar, o mesmo não acontece em sua aplicação, pois aquilo que,
por lei, deveria ser uma obrigação do governo, acaba por ir parar nas mãos de terceirizados.
Assim, a execução de ATER, através da terceirização dos serviços, segue a estratégia
moderna de fazer políticas, e o Estado, além de reduzir o orçamento para as políticas públicas rurais desloca a gestão de suas ações da esfera estatal para a
gestão compartilhada por meio de parcerias e transferência de
responsabilidades, expressando sua histórica desatenção às demandas da
agricultura familiar. Apesar da resistência, expectativas e esperança dos
agricultores familiares, a descontinuidade desses serviços, bem como a
deficiência das demais políticas necessárias aos agricultores vem comprometendo
suas atividades e aumentando suas dificuldades. E eles ainda garantem, com
informações nas telas cotidianas falando em 70% da alimentação na mesa do
brasileiro.
Portanto,
até o momento, o modelo conservador de agricultura tem se reproduzido. Neste
sentido, é importante identificar quais poderiam ser as principais condições e
possibilidades para que uma nova
proposta se efetive na agricultura familiar, observando em que medida a ATER pode contribuir para que uma nova
proposta se estabeleça. Que tal tecnologia?
Para que se construa uma critica a esta modernização conservadora, implantada
como modelo de desenvolvimento da agricultura familiar, desde 1964 e que ainda
não foi superada pelos governos que se sucedem é preciso ofertar algo
melhor. No governo que ora temos há
sempre propostas distantes que garantem ATER à agricultura familiar.
Acreditando
que o agricultor acredite na efetivação desse discurso, isso pode se constituir
em “alternativa” que propicie
mudanças no contexto agrícola. Contudo, para que essa mesma possa ser
materializada na realidade brasileira, outras mudanças precisam ocorrer, tanto
por parte do Estado que tem a responsabilidade de apresentar e que apresenta a
política muitas vezes sem considerar realmente as necessidades dos
agricultores, quanto em relação aos agricultores que precisam se organizar na
luta para concretizar a “alternativa”
governamental.
É em meio à complexa realidade brasileira,
voltada à questões que não envolvem agricultores familiares na luta por
melhores condições de vida, é que podemos discutir ATER e sua efetivação. Neste sentido, procuramos apreender como a ATER se materializa no cotidiano da
agricultura familiar, analisando em que medida esta política atende às demandas
dos agricultores e se estes vêem nas propostas verticais medidas de uma
política de reforma que atenda às suas necessidades. Assim, nos processos
relacionados à efetivação dessa política na agricultura familiar, são
encontrados limites para a efetivação de políticas publicas agrícolas, como o
valor dos recursos disponíveis, o número de profissionais para prestarem
assessorias aos programas, o fato dos serviços serem terceirizados e,
principalmente a valorização intelectual
presente em seu quadro funcional.
Desta forma, continuam os limites para efetivação da política agrícola
familiar no país. Esses limites possuem graus e direções diversas que vão desde
a definição de recursos por estes não
serem adequados às metas previstas, além das dificuldades de entidades
governamentais e não governamentais, bem como a organização dos trabalhadores
na agricultura familiar. No entanto,
para que haja mudanças nestes
aspectos são necessárias inovações
nas metodologias desenvolvidas, bem como a democratização dos espaços de
discussão/construção das políticas e programas voltados aos trabalhadores
rurais.
Estes
aspectos podem se constituir como limites para a efetivação do Programa
Nacional de ATER - PNATER, pois ao
se tratar de dinheiro é importante
lembrar que o que ocorre com o montante dos recursos destinados às políticas
agrícolas voltadas à agricultura familiar é semelhante ao que tem ocorrido com
o orçamento público destinado às
políticas sociais, uma histórica submissão à política econômica. Assim a indefinição inovativa de recursos se
constitui o principal obstáculo para a implantação dessa política. Nesse contexto, os trabalhadores
necessitam e esperam cotidianamente ter acesso às políticas públicas, e, no
entanto, convivem com os limites e contradições inerentes a tais políticas.
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