Uma nova ATER é possível, agora.
A
necessidade por
informação agrícola e por serviços de assistência técnica provavelmente se
intensifique num presente previsível, dada a não
qualificação e o descomprometimento do sujeito responsável
por este correio comunicacional. Nisso
apostamos, dadas às rápidas mudanças contemporâneas. Em muitas partes do mundo,
boa parte no Brasil, a agricultura já enfrenta o desafio de manter o mesmo
ritmo com uma população que cresce, com poucas reservas de terras
potencialmente cultiváveis, o que não é o caso do Brasil. Aqui tem terra
agricultável à vontade. Agricultores pelo mundo terão que ficar mais eficientes
e especializados. Aqui mais ainda. Das perspectivas de governos pelo mundo,
qualquer prioridade é dada à produção. No Brasil, existem prioridades e
prioridades, ou seja, dependendo do momento, a atenção é dada aos interesses “daselites”. O discurso atual é de fazer,
principalmente, da extensão rural uma ferramenta de política fundamental para
promover práticas de agricultura ecologicamente e socialmente sustentáveis.
Não sei se o agronegócio concorda e contemporiza do discurso. Só sei que a
ferramenta é curta que nem “garupa de jumento”.
Algumas
das recentes conversas mais promissoras em metodologia de extensão acontecem onde
a agenda chave é o ambiental, p. e., o assunto florestabilidade se tornou
uma necessidade de administração
profissional pelos usuários, vide extrativismo e seu manejo integrado. Conversa boa. Um tema
consistente que transpassa os enfoques de inovações como a ARP (Chambers, 1994), é uma
mudança fundamental nas funções e os respectivos papéis do agente de extensão e
seus clientes. Já faz muito tempo que o extensionista não é visto como um ente que tem
informações úteis e soluções técnicas; são reconhecidos o conhecimento sensível dos
clientes/agricultores, seja individual e coletivamente, como uma ferramenta
para auxiliar na busca de soluções para problemas locais. Como a escala que
deve apoiar a extensão é frequentemente maior que a unidade produtiva individual,
os trabalhadores de extensão precisam de novas habilidades tecnológicas de
negociação, resolução de conflito, e que sejam repassadas nas organizações
comunitárias.
Muito
mais rápido se faz necessário um corte cirúrgico com relação à desigualdade salarial
hierárquica dentro do serviço de extensão ao igual que uma redução nos seus
níveis de financiamento
público. Além disso, um rápido aumento pode ser esperado no uso de
informática a favor da extensão. Opa! Aí, sim, tem futuro.
Pagando
prá fazer
Com
as crises constantes provocadas por governos 3is (inoperantes, ineficientes e imperitos) na organização econômica, a
importância do papel do setor público nas economias nacionais fica
questionável, com uma obrigação de reduzir os gastos públicos. É corte prá todo
lado sempre que nuvens escuras aparecem no horizonte financeiro. Assim, de
sempre em sempre, a extensão governamental e todo financiamento público são, e
continuarão sendo, pressionados para reduzir pessoal, reduzir os gastos, e
passar os custos do serviço para terceiros que
diretamente se beneficiam, sempre que ameaças monetárias surgirem. Este é
particularmente o caso em países onde a população rural forma uma minoria
pequena e a produção agrícola está em excesso, graças ao agronegócio. O caso é
menos importante, mas não ausente, em países menos desenvolvidos onde os
agricultores familiares formam uma proporção relevante da população total e
onde a crescente produção de comida ainda é importante. Aqui. Cobrando pelos
serviços aos clientes, estes carregariam com os custos dos serviços e se
ampliaria, enquanto os governos tiverem chances de contratar os serviços da
parte privada ou do setor voluntário. Muito atraente. Isto é terceirização,
ou a aclimatação
da política econômica agrícola.
A
mudança social das áreas rurais
Agora,
desde que a tecnologia
entre no campo, progressivamente a população rural será indubitavelmente melhor
educada, enquanto a sua exposição para os meios de comunicação de massa
continuará reduzindo o seu isolamento e separando as informações, idéias, e se
orientarão sobre sua situação dentro de um hipertexto nacional e internacional. Esta exposição
grita por uma nova extensão rural. Preparada tecnologicamente fornecerá
mudanças nas demandas dos produtores agrícolas com relação ao crescimento da
população, a qualidade na produção de alimentos, mudanças nas exigências de
mercado, o que induzirá à população rural uma maior educação e diferentes tipos
de serviços de extensão. Tendências sociais dentro de áreas rurais necessitarão
então, treinamentos mais elevados, especializados e de extensionistas
competentes que também conheçam locais onde obter informação pertinente e soluções
aos problemas e várias formas de fornecimento e organizacionais (Moris, 1991;
Hayward, 1990) para substituir agências de extensão monolíticas dos governos.
Esta extensão precisará reconhecer e servir a diferentes tipos de clientes
definidos não em termos de assistencialismo, mas de acesso para mercados,
grau de comercialização e dependência relativa da agricultura na geração de
renda e bem-estar familiar.
Tic-tac rural
Um
reconhecimento da natureza local-específica de sistemas de cultivo e dos
sistemas de informação agrícola que dão certo deve servir de alicerce para as
políticas públicas de ATER e se apoiar para pressionar a desburocratização e criar
uma nova forma de fazer extensão rural, a troca da produtividade pela qualidade
na produção. Este reconhecimento também implica que os extensionistas e
agricultores estejam envolvidos juntamente na verificação e adaptação de novas
tecnologias, e agindo assim, tanto um como outro, respeitando a experiência e
tornado-se fomentadores e adaptadores de tecnologia poderão dedicar mais
energia dentro das respostas às suas necessidades produtivas, sociais e
ambientais. O acesso à troca de
informações mais rápidas e eficientes para a melhoria dos serviços de extensão rural
em seu atendimento às organizações locais é o objetivo maior da inserção das TIC nos
caminhos da produção rural. Dessa ambientação ao coroamento da empreitada é
questão de implantação e de abertura do conhecimento sistêmico. Desenvolvimentos em
tecnologia de meios de comunicação em massa, presentes (Garforth,1986), estarão
em campo “batendo
bola” e apoiando os esforços de extensão na concretização de novos
horizontes.
Tecnologia
da informação e comunicação - TIC
O
contínuo e rápido desenvolvimento das telecomunicações e informática baseada
nas TIC provavelmente é a grande aposta para a mudança em ATER e que poderá facilitar
outras mudanças. Escrevo isso porque o sucesso depende de indivíduos, daí a
aposta. Caso dependesse só dos equipamentos, nem apostaria. Há muitas
possibilidades para as aplicações potenciais da tecnologia em extensão agrícola
(FAO, 1993; Zijp, 1994). As TIC podem trazer informação instantânea para as
áreas rurais sobre as quais, os agricultores, como usuários, teem melhor
controle nas respostas a estas informações sobre produção e assuntos afins. E
estas informações estão disponibilizadas em telefones móveis e até mesmo, se o agricultor
não tiver um PC,
estas informações estão disponíveis num call-center-rural, com computadores que levam
sistemas especializados para ajudar os agricultores na tomada de decisões. Mais
que isso, eles podem concentrar em tarefas e serviços onde a interação tecnológica
hoje é essencial, ajudando individualmente e em pequenos grupos para
diagnosticar problemas, interpretar dados e aplicar o seu significado.
Precisamos
já de extensionista mais capazes, mais independentes, mais orientados ao
cliente. A ênfase estará na qualidade da interação entre o agente e cliente no
movimento de "mensagens" por um sistema todos-todos. Estão sendo vistas a
flexibilidade e a adaptabilidade como virtudes em lugar da inércia
comportamental tecnicista institucional. Estas tendências nos trazem um círculo
cheio para as manifestações prematuras da moderna extensão rural. Os “professores
agrícolas itinerantes” atuais, tão bem onerados pela hierarquia estabilizada, hão
de perceber os novos extensionistas como uma nuvem a sombrear seus domínios,
mas irão se curvar aos novos tempos colaborando na implantação de outra maneira
de fazer extensão rural, instruindo os agricultores nos aplicativos digitais,
com prazer na identificação da informação que eles necessitam para compreender
o potencial de suas tarefas de produção.
Olhando
para trás, nós podemos considerar que “nunca antes neste país” houve uma fase
tão necessária na evolução de sistemas de extensão. Então, que estes agentes
busquem estabelecer a sua missão, reunindo a especialização dos agricultores e
o melhor conhecimento científico disponível para desenvolver as unidades
produtivas e as economias agrícolas locais, com tecnologia.
Este é o
desejo.
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