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Ansiedade pode causar sintomas físicos? O que a psicanálise tem a dizer

 A ansiedade é frequentemente associada a pensamentos acelerados, preocupação constante e dificuldade de relaxar. No entanto, seus efeitos não se limitam ao campo mental. Muitas pessoas experimentam sintomas físicos intensos sem uma causa médica evidente. Falta de ar, tensão muscular, palpitações, dores no peito, desconfortos gastrointestinais — todos esses sinais podem aparecer como expressão de um estado interno que não encontra outra forma de se manifestar. Mas o que está em jogo quando o corpo começa a falar dessa maneira? Na psicanálise, a ansiedade não é vista apenas como um excesso de preocupação, mas como um sinal de algo que escapa à simbolização. Trata-se de uma experiência que coloca o sujeito diante de um ponto de tensão psíquica que não foi elaborado. Quando isso ocorre, o corpo pode ser convocado a sustentar aquilo que não encontrou lugar na palavra. Isso não significa que os sintomas físicos sejam imaginários. Ao contrário: eles são vividos de forma concreta e, ...

Dor no corpo pode ser emocional? O que a psicanálise explica sobre os sintomas físicos

 A dor no corpo nem sempre tem uma origem exclusivamente orgânica. Muitas vezes, ela se apresenta como um enigma: exames não apontam alterações significativas, tratamentos não produzem os efeitos esperados e, ainda assim, o sofrimento persiste. Diante disso, uma pergunta começa a surgir: seria possível que o corpo esteja falando aquilo que não pôde ser dito? Na psicanálise, o sintoma não é entendido apenas como um problema a ser eliminado, mas como uma formação que carrega um sentido. Quando se trata de dores físicas recorrentes — como tensões musculares, dores de cabeça, desconfortos abdominais ou fadiga constante — é possível considerar que há algo do campo psíquico em jogo. Isso não significa que a dor “não é real”. Ao contrário: ela é absolutamente real. O que a psicanálise propõe é ampliar a escuta sobre essa dor. O corpo, nesse contexto, pode funcionar como uma via de expressão do inconsciente. Aquilo que não encontra lugar na palavra — conflitos, angústias, experiências ...

📖 Vida que segue

 O ônibus desacelera. Sem anúncio. Sem cerimônia. Olho pela janela. Nada espetacular. Nenhuma paisagem grandiosa. Só chão. — Chegamos? — pergunto. Silêncio. Levanto. O corpo mais leve. Não porque ficou fácil. Mas porque não estou mais lutando com o mesmo peso. A porta abre. Desço. Pé no chão. Firme. Simples. Olho pra trás. O ônibus ainda está lá. — Vocês vêm? — pergunto. Nenhuma resposta. Subo um degrau de novo. Olho pra dentro. Ninguém. Nem Sigmund Freud . Nem Jacques Lacan . Nem Byung-Chul Han . Nem Andrea Vermont . Nenhum deles. O ônibus está vazio. Desço devagar. A porta fecha. E ele parte. Fico parado. — Então era isso? — digo, quase rindo — uma conversa inteira… comigo? O vento bate leve. Sem resposta. Mas algo é claro. Eles não foram embora. Nunca estiveram ali. Freud… era quando eu p...

📖 CAPÍTULO 5 - As tempestades

       O céu muda sem avisar. Não escurece de repente. Só vai perdendo cor. O ônibus segue. Mas agora balança. — Isso não tava no plano… — digo. Sigmund Freud responde: — Nunca esteve. Uma freada leve. Um ruído estranho. Gente se ajeitando no banco. — Eu sabia… — resmungo — sempre acontece alguma coisa. Jacques Lacan olha de lado: — Sempre… ou você reconhece quando acontece? — Ah, agora até isso? — digo — não posso nem reclamar? Maria Rita Kehl responde: — Pode. A questão é: isso muda alguma coisa? O ônibus balança mais forte. Alguém lá atrás reclama alto. — Sinceramente… — digo — acho que isso não é pra mim. Silêncio. Byung-Chul Han fala baixo: — O cansaço sempre oferece uma saída. — Qual? — Voltar… ou desistir sem dizer que desistiu. Isso pega. — E qual o problema de voltar? — retruco — pelo menos lá eu sabia como era. Christian Dunker responde: ...

📖 O mar aberto: Uma metáfora sobre as transições da vida (Capítulo 4)

O ônibus anda. Sem pressa. Sem explicação. Sento na janela. Olho pra fora. A rodoviária já ficou pra trás. — Pronto… — digo — agora foi. Silêncio. Jacques Lacan aparece no banco ao lado: — Foi… o quê? — Eu saí. — Sair não é chegar. Respiro fundo. Não gosto dessa resposta. — Mas já é alguma coisa, né? Sigmund Freud , algumas fileiras atrás: — É um começo. — Então agora melhora? Ele não responde. A estrada é longa. Monótona. Sem novidade. — Estranho… — digo — achei que ia ser diferente. Byung-Chul Han responde, olhando pela janela: — Você mudou de lugar. Não de estrutura. Isso pesa. — Então quer dizer que nada mudou? Christian Dunker entra: — Mudou. Você não está mais no mesmo ponto. — Mas parece igual. — Parece… porque você veio junto. Silêncio. Uma mulher no banco da frente suspira: — Eu já fiz isso antes… sair, mudar, tentar… e volto pro mesmo lugar. ...

📖 CAPÍTULO 3 _ O embarque - cerque-se de cuidados para chegar leve ao destino.

    O aviso soa. — Embarque imediato. Ninguém olha pra mim. Mas parece que foi. A rodoviária continua a mesma. Barulho. Gente. Movimento. Mas não é igual. Seguro a mochila. Ainda sentado. — Então é isso… — digo — eu entendi. Jacques Lacan responde na hora: — Não. — Como não? — Entender não é isso. — Então o que falta? — pergunto, já meio impaciente. Sigmund Freud olha por cima dos óculos: — Falta você. — Eu já estou aqui. — Não desse jeito. Isso irrita. — Então fala logo o que tem que fazer. Silêncio. Andrea Vermont quebra o vazio: — Ninguém vai te dar essa resposta. — Claro que vai… — retruco — vocês sabem. Ela balança a cabeça: — Saber não faz por você. O aviso soa de novo. Mais urgente. Um motorista grita: — Última chamada! Algumas pessoas correm. Outras fingem que não ouviram. — E se eu não entrar? — pergunto. Byung-Chul Han responde: — Você já sabe o...

📖 CAPÍTULO 2 A encruzilhada _O Peso do "Não": O que Acontece com os Caminhos que Você Abandonou?

  Rodoviária. Barulho de mala arrastando. Gente com pressa de ir. Gente com pressa de chegar. Sento. Olho o painel. Vários destinos. — Engraçado… — digo — todo mundo sabe pra onde vai. Sigmund Freud responde, sem levantar os olhos: — Sabe o nome do destino. Não o caminho que repete. — Lá vem… — suspiro — então ninguém muda? Jacques Lacan corta: — Mudar não é trocar de lugar. — Então é o quê? — Mudar é mudar de posição. Um homem ao lado reclama alto: — Sempre a mesma coisa… atraso, bagunça… nada funciona. Christian Dunker , alguns bancos à frente, comenta: — Às vezes muda tudo… menos quem reclama. O homem se vira, irritado: — Tá dizendo que a culpa é minha? Maria Rita Kehl responde, tranquila: — Não é culpa. É participação. — Participação em quê? — ele insiste. Friedrich Nietzsche , encostado na parede, sorri de lado: — Em continuar exatamente onde diz que não quer estar. Silêncio curto. — Tá… — entro na conversa — e...