Quero fazer parte
Durante muito tempo, a vida foi assistida. Como se fosse algo que acontecesse do lado de fora. As decisões, os caminhos, os erros — sempre tinham um outro como referência. O mundo acontecia… e eu reagia. Até que algo muda. Não é o cenário. Não são as pessoas. Não é a sorte. É uma frase silenciosa, quase íntima, que começa a ganhar força:
quero fazer parte.
E querer fazer parte não é se encaixar. Não é agradar. Não é seguir o fluxo para não se sentir de fora. Querer fazer parte é assumir lugar. É sair da plateia e pisar no próprio palco. É entender que não existe história acontecendo sem a sua participação — existe, no máximo, adiamento. Quem quer fazer parte deixa de terceirizar a própria vida. Para de explicar tudo pelo passado, pelos outros, pelas circunstâncias. Não porque isso deixa de existir — mas porque isso deixa de ser desculpa.
Fazer parte é se implicar. É aceitar que toda escolha constrói e toda omissão também. É sustentar o desconforto de não ter garantias, mas ainda assim agir. Porque no fundo, a diferença entre quem vive e quem apenas passa pela vida é mínima — mas decisiva: Uns esperam serem chamados.
Outros dizem: eu vou. E vão mesmo sem certeza. Mesmo com medo. Mesmo sem aplauso. Porque já entenderam algo que muda tudo: a vida não é um lugar onde você entra depois de estar pronto.
Ela começa exatamente no momento em que você decide fazer parte.
https://josecarlosdemiranda.blogspot.com/2026/03/o-que-e-psicanalise-da-mudanca.html

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