Quando você faz a sua parte...
Existe uma frase que circula por aí, sussurrada por coachs e influenciadores, sussurrada por muita gente sabida e, convenhamos, até por aquele amigo que descobriu filosofia no último retiro espiritual: "Se você fizer a sua parte, o universo se encanta e o vento soprará a teu favor". Bonito, não é? Poético. Inspirador. Mas será que é verdade? Bem, vou te contar uma história bem interessante. Houve um rei na mitologia grega, de nome Sísifo, que foi condenado pelos deuses a empurrar eternamente uma pedra morro acima e quando lá chegava, a pedra rolava novamente pra baixo, obrigando Sisifo a empurrá-la novamente e eternamente. Desconfio que ele não fez a parte dele. Todos os dias, ele recomeçava. Sem progresso. Sem vitória. Sem fim. Albert Camus escreveu sobre ele e chegou à conclusão de que Sísifo era feliz. Bonito demais para ser verdade, não acha? Mas aqui está a coisa: Sísifo não estava fazendo a sua parte. Ele estava apenas... empurrando. Sem propósito. Sem responsabilidade subjetiva. Sem reconhecer que sua parte não era apenas empurrar a pedra, mas transformar o significado daquele empurrão. Você sabe qual é a diferença entre Sísifo e você? Sísifo empurra a pedra porque foi condenado. Você? Você tem escolha. E é exatamente aí que a posição muda. Quando você faz a sua parte – quando você reconhece o que é seu, o que você pode controlar, o que é sua responsabilidade subjetiva – algo muda. Não é o universo que muda (bem, talvez mude, quem sabe?). É você que muda.E quando você muda, quando você se autoriza a agir, quando você deixa de ser vítima e passa a ser protagonista da sua própria história... aí sim, o vento começa a soprar a seu favor e você finalmente está em movimento. E movimento atrai movimento.Tudo bem que o vento sopra em que está parado. Numa outra postagem, falaremos sobre isto. Pense bem: um barco parado no porto nunca sente o vento a seu favor. Mas um barco que levanta âncora, que navega, que se move? Esse barco sente cada brisa, cada corrente, cada oportunidade que o vento traz. É como um ciclista. Parado em uma ladeira, ele cai. Não há equilíbrio sem movimento. Mas quando o ciclista começa a pedalar, quando ele coloca força no pedal e se move para frente, algo mágico acontece: o movimento cria direção, e a direção cria equilíbrio. O vento que parecia contrário agora sopra a favor. Não porque o vento mudou, mas porque ele está em movimento, na direção certa. Quando você faz a sua parte, você levanta a âncora. Você coloca força no pedal. Você sai do porto da acomodação, da vitimização, da espera eterna. E aí? Aí o universo (ou a vida, ou a sorte, ou como você queira chamar) começa a trabalhar com você, não contra você. Sísifo, finalmente descansa. Imagine Sisifo descansando. Agora imagine Sísifo fazendo a sua parte. Não apenas empurrando a pedra, mas reconhecendo que aquele empurrão é seu. Que ele pode escolher o ritmo, a direção, o significado. Que ele não é vítima de uma maldição, mas protagonista de sua própria transformação. Nesse momento – e só nesse momento – Sísifo não mais empurra a pedra. Ele a conduz. Ele a direciona. Ele a transforma. A pedra ainda está lá. O desafio ainda existe. Mas Sísifo? Sísifo finalmente está livre. E sim, depois de tantos anos, ele merecia descansar. Então, quando você faz a sua parte, não é o universo que muda. É você. E quando você muda, quando você se autoriza, quando você reconhece sua responsabilidade subjetiva e age a partir dela...Muda a pedalada, muda o mundo. Não é magia. É responsabilidade. É liberdade. É você finalmente levantando a âncora, colocando força no pedal e deixando o vento soprar a seu favor.E sabe de uma coisa? Sísifo está de pé agora, olhando para o horizonte, sorrindo. Talvez até pedalando um pouco. Porque ele finalmente fez a sua parte. Faça sua parte e as pedras do caminho, deixe pra trás. Aqui está a verdade que ninguém quer ouvir: você não muda olhando para trás. Você não muda relembrando os erros, as quedas, os momentos em que você não conseguiu. Você não muda remoendo o que poderia ter sido diferente. Não é pra lá que você vai. Sua parte é simples: fazer o que está ao seu alcance, aqui e agora. Colocar força no pedal. Manter o olhar no horizonte, não no caminho que já percorreu. Porque a vida é assim. Você não volta, pedalando para frente. A transformação acontece quando você decide que não é pra lá que você vai. Que o seu rumo é outro. Que sua parte é pedalar na direção certa. Quando você faz a sua parte, muda a direção e o horizonte, porque você finalmente está em movimento. E movimento atrai movimento. Muda a pedalada, muda o mundo. Gostou? Dê cá um abraço.

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