O Nó da Equação: Do Labirinto de Espelhos ao Horizonte de Caetano
Você há de pensar: o
que uma equação matemática está fazendo numa construção psicanalítica?
Tudo começa com uma
pergunta. Quanto à resposta, ela não deveria ser difícil, mas eu vou te ajudar.
Imagine a nossa vida. Esta equação complexa abaixo representa o que os
"outros" — a cultura, a família, as expectativas sociais — nos dizem
sobre o que fazer e como ser.
A Trajetória do Confuso:
1 + 1 = x
(1 + 1) ² = x²
1² + 2(1) (1) + 1² = x²
1 + 2 + 1 = x²
4 = x²
x = √4 x = 2
Entenderam o
imbróglio? O melhor para a nossa existência seria se nos dissessem simplesmente
que 1 + 1 = 2. Sem rodeios. O mundo se resolveria de forma prática:
ou é sim, ou é não.
Mas aqui, deixamos as
velhas sombras para trás e entramos no Labirinto de Jorge Luis Borges.
Para Borges, não precisamos de monstros para nos perder; o próprio labirinto —
construído por palavras e expectativas alheias — é a armadilha. Os
"outros" nos entregam mapas cheios de bifurcações inúteis, onde cada
passo nos afasta do centro. Transformam o simples $1+1$ em um
corredor infinito de espelhos onde você vê mil versões do seu problema, mas
nunca a solução. A confusão mental é uma construção arquitetônica feita de
"meandros voluntários" que nos impedem de ver que a saída sempre
esteve ali, na simplicidade do real.
E, então, qual é a
sua parte neste imbróglio existencial?
Qual caminho você
prefere: aquele no qual os outros te conduzem por esse labirinto sinuoso, ou
este, no qual a sua posição retira as paredes falsas e te faz navegar
diretamente para um porto seguro? Um porto onde, alicerçado pela sua nova
postura, você possa construir um novo "Shangrilá" de sucesso.
Este é o momento da
ruptura: deixar o labirinto para trás em direção a um futuro seguro. Só que
você precisa fazer a sua parte. Pois, uma vez que você domina a obviedade do
real, você se torna livre para a poesia e para a subversão. Como cantava Caetano
Veloso em 1971, mergulhado na angústia de um tempo que queria somar o que
não fechava: "tudo certo como dois e dois são cinco".
Agora que você
atravessou o labirinto do óbvio, você está preparado para responder: Por
que 2 + 2 = 5? Porque quando o sujeito assume o manche da sua Nau, ele
descobre que a matemática da vida não é apenas soma, é invenção. Onde o dogma
diz que o resultado é fixo, a sua liberdade diz que o horizonte é seu.
Qual é a sua parte no
nó que te aperta?
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